A arte do improviso

A arte do improviso

 

 

Sabe essas pessoas que vivem fazendo citações, dizendo frases célebres, ditados, falas de filme, sabem de cor quem foi o autor, o título da obra, o ano, tudo? Eu não sou uma delas. Apesar de ter sido um rato de biblioteca, de ter lido muito, sou horrível, péssimo em citações. Não lembro de nenhuma frase. E quando lembro, não lembro do autor. Ou distorço. Então não uso. Tenho uma memória muito boa para outras coisas. Não para  História, citações ou chavões. Quando percebi isso, transformei o que seria uma possível “deficiência” em algo a meu favor. Como? Comecei eu mesmo a criar frases e textos para todas as situações. Assim, como advogado,  em minhas petições jamais faço citações ou copio toneladas de jurisprudência, frases em Latim, etc. E não uso o juridiquês, aquela hermética e rebuscada linguagem usada por advogados quando não sabem o que dizer a seus clientes… Não que não saiba como fazê-lo, é que acho chato e sei que, se fosse Juiz, não gostaria de ficar lendo essas baboseiras. Então, atenho-me aos fatos e monto minha argumentação baseada em pura lógica. Quando acho necessário filosofar, crio meus próprios textos e os exponho. E sempre fui muito bem sucedido assim, com um índice invejável de vitórias nas lides jurídicas. O único problema é que não consigo citar nem a mim mesmo. Não sei cantar uma só música, citar uma só frase ou recitar um único verso que compus. Durante o processo de criação as palavras e as melodias ficam como zumbis dançando em minha cabeça até eu decidir que o trabalho está pronto. Ai, relaxo e esqueço do filho para sempre. Talvez porque tenha preguiça de ficar rememorando coisas ou porque ache mais agradável criar do que copiar. Assim, estou sempre me reciclando, como Sísifo – olha ai uma citação – começando tudo de novo. É onde encontro inspiração para estar sempre de bem com a vida. Na criação diária, nas invenções malucas, nas piadas, poesias, apps de computador, críticas, romances ou crônicas, que escrevo sem parar. Logico que nem tudo é bom. Talvez nada seja bom. Mas é meu. De minha autoria. E ninguém tasca. Bom, às vezes tiram uma lasquinha. Dias atrás escrevi um texto que viralizou na Internet, como si diz. Às vezes acontece. Como era um texto de opinião, escrevi meu nome entre parênteses ao final. Passados alguns dias, com mais de dez mil compartilhamentos e um milhão de visualizações, recebi o texto de volta, postado por um amigo virtual, cara super chato e crítico, que jamais curte algo meu, dizendo que teve que repassar, pois aquele texto – de autor desconhecido – era imperdível. Pois é, haviam deletado meu nome do final. Me senti lisonjeado, um Carlos Drummond da periferia… Não digo isso para contar vantagem, mas para mostrar que, “se te derem uma laranja azeda, compre um pacotinho de Tang…”. É mais ou menos assim o ditado, não? 

Um pedido à presidente do STF, Ministra Carmem Lúcia.

Um pedido à presidente do STF, Ministra Carmem Lúcia.

 

O STF, a mais alta corte do País, que era um dos últimos pilares a manter-se em pé como símbolo de honestidade e Justiça perante a opinião pública, tem, durante os últimos anos, jogado por terra essa conquista, fazendo com que a credibilidade de alguns de seus onze ministros chegasse a níveis muito baixos. Ninguém mais acredita na imparcialidade deles, ao menos de boa parte deles. Todos sabem que o STF está dividido em dois grupos e que suas decisões são parciais e tem um cunho político no pior sentido, sempre visando proteger os partidos e as lideranças que lhes interessam.  

Dessa forma, para que se preserve a Instituição, rogamos à Suprema Corte, em nome de sua presidente, Carmem Lúcia, que tome ao menos uma atitude para tentar restaurar um pouquinho da credibilidade que foi jogada pelo ralo: acabe com essa vergonhosa prática de acesso aos autos, o famoso “pedido de vista”, uma vez que, com a digitalização do judiciário, todos os processos ficam disponíveis a todos os ministros online. Assim, para estudar um processo nenhum ministro tem mais que levar um calhamaço para casa. E, se não puder eliminar de vez tal prática por falta de amparo legal, ao menos acabe com a possibilidade de um ministro paralisar o processo ao pedir vista quando uma votação já alcançou maioria.

Tal prática, como é do conhecimento da maioria, é mera chicana visando postergar a confirmação de votação já definida, sendo que as razões que levam algum ministro a toma-la são sempre obscuras.

As restrições ao Foro Privilegiado, importante decisão tomada pelo Supremo nesta semana, ficam em suspenso, sem poderem ser aplicadas, justamente por um pedido de vista sem o menor cabimento, quando já se sabia o resultado da votação. Não é justo.

Além disso, Presidente Carmem Lúcia, estabeleça um prazo rigoroso, digamos de uma semana ou, no máximo, quinze dias, para a devolução do processo com pedido de vista à pauta. E que tais prazos sejam cumpridos pelo bem da moralidade pública.

Qualquer advogado, se atrasar a devolução de um processo sem uma desculpa razoável, está sujeito a ser punido por “Litigância de má fé”. A isonomia é um pressuposto da democracia e, principalmente, da Justiça. Está nas mãos dos ministros do STF e, principalmente de sua presidente, a guarda e manutenção da honra do Poder Judiciário.

 

Que este pedido chegue ao conhecimento do STF levado pela população através do valioso e ágil caminho das redes sociais. 

Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento.

Por fora, bela viola.

Por dentro, pão bolorento.

 

Quando criança ouvia minha avó recitar esse refrão e não entendia direito pra que servia. Agora entendo. Ela devia estar falando do Rio de Janeiro…

 

 

PS: que me perdoem os cidadãos de bem que lá residem. O Rio é um símbolo do País. E com símbolos não se brinca.

Marcianita

Vida lá fora

 

Andei fazendo diversos estudos sobre a vida extraterrestre. Minha conclusão: a julgar pela cor, os marcianos são veganos. Já enviei um e-mail pra NASA recomendando levar bastante picanha com cerveja e mulher em suas próximas viagens ao planeta vermelho… Vamos fazer a cabeça, digo, fazer o cabeção, desses homenzinhos tolos.

Peludão

Tony Ramos foi à igreja:

“São Crispim, tenho o maior trauma de ser peludo. Dá pra dar um jeito?”

“Deixa comigo…”

Um mês depois, Tony volta à capela:

“Po, São Crispim, o senhor foi tirar pelo logo da minha cabeça?”

 “Tá vendo? Se eu tirasse do saco não ia causar tanto impacto…”