A Intervenção Federal no Rio – primeira semana

A Intervenção Federal no Rio – primeira semana

 

Gabinete do Juiz Federal Dr. Alisan Doatoba, 14:31hs.

 

– Excelência, aqui é o General Braga, Interventor Federal. Venho pela presente solicitar um Mandado de Busca e Apreensão. Acho que tem uns fuzis escondidos num beco da Rocinha, lá em cima, num barraco pintado meio de vermelho, meio de verde, com um moleque de bermuda preta sentado na porta.

– O senhor tem provas?

– Tiramos umas fotos e temos quatro testemunhas.

– Pois não, General, vou conceder. Muito cuidado na abordagem. Escrivão, providencie o Mandado.

……….

– Excelência, quando chegamos lá os bandidos tinham fugido. Acho que estão agora num barraco marrom, com janela de caixa de leite Ninho, oito vielas acima, se não me engano. Por favor, poderia providenciar um novo Mandado.

– Sei não, isso não está me cheirando bem, vai contra as garantias constitucionais de privacidade.

– Excelência, seguimos os bandidos de helicóptero. Eles atiraram na gente e mataram dois. Só não revidamos e os abatemos porque é ilegal.

– Ok, desta vez passa. Escrivão, providencie mais um Mandado…

………….

– Seu Juiz, é o Braguinha. Os filhos da puta escaparam. Me arruma ai uma porra de um mandado pra casa com lage e piscina no alto do morro. Deve ser a casa do chefe, meu.

– Falou Bragote. Mas tu não acerta uma, mermão. Vou te dar logo dois mandados. Você tá falando da casa do Nem. Tem a casa vizinha também, do Neguinho do Baseado. Já fizemos altas festas lá. Passa lá e manda minhas recomendações. Aliás, última forma. Mete bala nesses bagaças que eles perderam o respeito, estão mexendo com minha filha na escola.

– Valeu Bro, fui…

– E para de me pedir essas porras de mandado. Vai lá e arregaça, meu. Tu é homem ou é um rato, carai?

– Pódexá, togadão!

Intervenção Federal no Rio

General Braga: uma dica de como combater a criminalidade, no Rio e no Brasil

 

1) Expurgo nas polícias civil e militar. Mudança na legislação para facilitar o afastamento imediato e a expulsão de policiais, delegados e comandantes corruptos, com criação de varas especializadas da Justiça.

2) Unificação das polícias, com um só comando centralizado e, principalmente, um só banco de dados com informações sobre crimes e criminosos.

3) Aumento da autoestima policial: mudança radical no comportamento e na visão que a população tem da polícia. Para isso, aumentar salários, trocar a cor e o modelo de uniformes, aumentar o rigor na contratação requerendo maior escolaridade e ficha limpa, além de testes rotineiros antidrogas. Aquisição e manutenção de material à altura, com carros novos, combustível e armamento pesado. Investimento em inteligência.

4) Mudança na Lei Penal, permitindo detenções, revistas, condução coercitiva, aumento drástico de penas incluindo menores até 14 anos e menos recursos advocatícios. Criação de escolas e empregos para menores até 14 anos. Tirá-los das ruas é a prioridade. Trabalhar – em serviço digno – e estudar não é crime, é tirar a criança do crime.

5) Criação de Cortes municipais, onde presos serão apresentados e julgados em até 24 horas, para uma avaliação sumária por Juízes togados.

6) Construção de presídios suficientes. De preferência sob administração da iniciativa privada.

7) Adoção da política de “janelas quebradas”, como feito em Nova York. Mesmo os menores crimes deverão ser investigados e punidos com penas rápidas, para mostrar aos criminosos iniciantes de que o crime não compensa.

8) Presença constante, diária, massiva da polícia, nos locais mais violentos, mostrando que o Estado detém o Poder. Guerras entre quadrilhas e tiroteios são inadmissíveis. Combate rigoroso ao roubo de cargas. Combate mais rigoroso ainda contra as milícias, talvez piores do que os bandidos.

9) Vigilância rigorosa nas fronteiras, estradas, portos e aeroportos para evitar a entrada de armas e drogas.

 
10) E, last, but not least, a utopia maior: erradicação das favelas. Basta alterar a legislação para deixar entrar o mercado imobiliário nos terrenos invadidos, comprando barracos e construindo prédios. A valorização imobiliária acabará com as favelas em três tempos. Justiça Social não é deixar gente vivendo em lugares perto da praia e do emprego, mas promíscuos e violentos. O governo deve, sim, apresentar soluções de transporte adequadas para trabalhadores se deslocarem de casa (que será longe, sem dúvida, mas com conforto e segurança) para o trabalho. Soluções inteligentes, como financiamento para compra de terreno e construção de casa própria popular é uma das hipóteses. Nada de construírem novas Cidades de Deus, a primeira favela planejada do mundo.

 

É difícil? É utópico? Sim, mas nada que um grande País com políticos honestos não possa tentar. Assim como o Rio, outras grandes cidades do País deverão tomar essas iniciativas, se o Brasil pretende um dia chegar a ser considerado um País de Primeiro Mundo. Caso contrário, assim tá bão.

Uma jogada de mestre

A Intervenção Política de Temer

 

Michel Temer fez uma jogada de mestre. Bom, ele é mestre em jogadas políticas, isso não se pode negar. Acho que Temer, juntamente com Lula e demais líderes partidários, é um dos chefões das máfias que corrompem o Brasil. Mas isso não vem ao caso neste momento. Seu dia de acerto com a Justiça chegará. Agora é tocar o barco da nau sem rumo em meio à tempestade.

Temer tinha dois problemas: A Reforma da Previdência e a segurança do Rio, que extrapolou no Carnaval, com imagens divulgadas no Brasil e no mundo. O Presidente sabia que não conseguiria votos para aprovar a Previdência, sabotado que era pelo próprio Presidente da Câmara, Rodrigo Maia. E ser derrotado e humilhado no Congresso, que era apenas questão de tempo, não fazia parte de seus planos nem de seu orgulho. Então veio a genial ideia: matar dois coelhos com uma só rajada de AR-15. Ao decretar a Intervenção Federal na segurança do Rio, automaticamente ficou impedido pela Constituição de fazer qualquer outra reforma. Ou seja, a Previdência não pode ser votada enquanto durar a Intervenção. Dessa forma, Temer não é derrotado no Congresso e ainda é elogiado pelas providências “enérgicas” em relação ao Rio. Quem não deve ter gostado nada disso é o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: sem a Reforma da Previdência as contas do Brasil não fecham, além de que, com a Intervenção, a turma do Exército vai começar a pedir mais dinheiro que garoto em parque de diversões… O mestre que se cuide!

Trouxa é a mãe!

Trouxa é a mãe!

 

O que mais me irrita é ver políticos pensando que somos trouxas.

O Rodrigo Maia, com sua cara de bolacha Maria amanhecida, na ânsia de ser nosso próximo presidente – que Deus nos proteja -, começou uma campanha “saneadora” para que os deputados só façam viagens internacionais em classe econômica. Ai, um monte de gente do bem, mas com o cérebro meio lento, pensa: “Tai, esse cara é legal… Quer economizar nosso dinheiro”. Legal coisíssima nenhuma. Isso é diversionismo, o mesmo que mágicos fazem para distrair nossa atenção. Ele quer é nos fazer de trouxas. O problema não é o periférico, é o principal. O problema não é a classe em que o deputado viaja, mas a viagem em si. O que tem a fazer hordas de deputados e senadores – sempre acompanhados de suas peruas – na China, na Finlândia, na Áustria, nos EUA, na Rússia, senão passear e gastar nosso dinheiro? Esse vagabundos estão sempre a inventar um pomposo motivo para suas andanças: “Seminário sobre o aquecimento global”, “A correta utilização da energia eólica”, “Um transporte de qualidade para o cidadão”, “Sistemas de segurança nas grandes cidades”. Ah, vão pastar. Vocês vão nesses seminários para dormir, quando vão… Vocês querem mesmo é ir nos shoppings centers e lojas de griffe comprar bolsas Louis Vuitton para suas manteúdas. Senhor Rodrigo Maia, não pense que todo mundo é imbecil. Vá enganar os trouxas que votam de cabresto no seu pai e no senhor na província do Rio de Janeiro, não a mim. Cariocas, não fiquem bravos, São Paulo também é uma província. Mas parem de votar em calhordas, pois, desde Brizola vocês não dão uma dentro, porra! Bom, nós, paulistas, também não… Mas isso fica para outra ocasião.

Você poderia ser Presidente?

Reflexões no Carnaval

 

Você poderia ser Presidente?

 

Aqui não vai nenhuma defesa de qualquer candidato citado.

Mas é engraçado que critiquem Bolsonaro por não entender nada de economia e endeusem Henrique Meirelles por só entender desse assunto. Como dizia meu pai, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Ser Presidente da República não requer especialização em nenhum quesito em particular, seja economia, agricultura, saúde, transportes, segurança, infraestrutura ou educação. Aliás, isso se torna um empecilho, pois “experts”, de modo geral, tendem a se concentrar nos assuntos que dominam em detrimento dos demais.

Assim, para ser um grande presidente o candidato prescinde de especialização em alguma área. Deve, sim, ter uma boa visão geral sobre o País, ser carismático, ter poder de comunicação com os partidos políticos e com a população. Também precisa ser um agregador, bom negociador e, principalmente, saber escolher com independência uma ótima equipe de especialistas, de preferência técnicos, cada qual em sua área de conhecimento. Deve também ter uma visão abrangente sobre geopolítica e os problemas globais, além de personalidade forte e coragem para fazer valer suas convicções após ouvir os vários argumentos prós e contras, sem derrubar pontes ou fechar portas atrás de si. Democracia não é feita de tibieza, de fracos que cedem às pressões ou chantagens políticas por medo de serem considerados autoritários. Negociações devem existir, mas chega um momento em que a decisão precisa ser tomada com coragem, doa a quem doer, sob pena de o presidente se tornar um títere e ser pouco a pouco dominado, como numa rinha de galos, pelo corporativismo, pelos políticos ou grupos econômicos mais fortes ou mais espertos.

O Brasil precisa desesperadamente de renovação política, de arejar os poluídos ambientes que se instalaram nos gabinetes públicos por todo o País. Reeleições de deputados e senadores – a não ser em raríssimos casos – devem ser evitadas a qualquer custo. Rezemos para que apareça – como na França – um Emmanuel Macron, ou – como na Argentina -, um Mauricio Macri, sem ranços, dependências ou rabos presos, com ideias novas, que diminuam o gigantismo estatal, enxuguem a economia e se concentrem no que realmente interessa à população: uma economia forte entregue à iniciativa privada que gere empregos e renda, implantação de planos de carreira no funcionalismo público baseado exclusivamente na meritocracia, fim das benesses estatais, dos subsídios e da corrupção, atenção especial à Educação – a fonte de transformação de um País -, além dos cuidados essenciais com Saúde, Transporte e, especialmente, firmeza no trato com a Segurança. Sobre honestidade nem falei, pois não é requisito essencial de um candidato. É obrigação de todo cidadão.

Será pedir muito? Claro que sim, mas o Brasil – tão maltratado – merece isso e muito mais. E você, poderia ser Presidente?