Você prefere ser rico, bonito ou inteligente?

Você prefere ser rico, bonito ou inteligente? Ao escolher uma opção as outras duas serão opostas. Se escolhestes a riqueza, serás rico, porém feio e burro. Não vejo muito futuro pra ti. Feio como um prato de buchada de bode em noite de tempestade, e ainda por cima burro como uma anta – ou vice versa -, serás chifrado pela gatinha piriguete filha do teu vizinho – que tu fica espiando de rabo de olho -, que lhe tomará toda a grana mais rápido do que demoro pra te chamar de trouxa. E, assim, brevemente ficarás feio, burro e pobre. Se escolhestes a beleza, também não vejo grande futuro para tua venerável pessoa. Serás belo, pobre e burro. Se, com essa tua belezura principesca toda, conseguires ficar do lado de cá – o lado hétero, meu – , pegarás um coroa abonado ou uma balzaquiana gostosona e abonada, que te usará enquanto fores filé mignon e te largará assim que entrares no osso, momento em que serás largado às traças, já carcomido, feio, pobre e burro. Certamente a melhor opção é a inteligência, pois com ela tu conquistarás a riqueza de espírito e a beleza da cultura, que te farão cada vez mais inteligente, rico, belo e desejado pelas mulheres e pelos homens. Bom, se não estou lá muito certa disso, ao menos esse pensamento é que serve de consolo às pobretonas feiosas que nem eu… Nossa sorte é que no meio da salada geral sempre sobra algum rabanete ou couve-flor…

Criança pode trabalhar?

Comecei a trabalhar aos 13 anos. No escritório de engenharia do Dr. Gallelo, um conceituado professor da Politécnica/USP, cuja filha Maria Beatriz Gallelo é minha amiga no Face. Era na Barão de Itapetininga, quando o centro de São Paulo ainda era charmoso, e as mulheres elegantemente vestidas iam ao Mappin fazer compras terminando com um chá na Xavier de Toledo. Lá aprendi muito. Eu terminava o ginasial pela manhã no Fernão Dias, em Pinheiros, e trabalhava à tarde. O escritório era especializado em serviços de saneamento e obras para prefeituras e ali conheci inúmeros prefeitos, a quem recebia muitas vezes sozinho e ficava ali, conversando e assimilando coisas novas. Aprendi também como montar processos para concorrências públicas. Como ver plantas de engenharia e seus diversos cortes. E muito me orgulho disso. Enquanto isso, muitos “amigos”, garotos de minha idade, se perdiam nas ruas do Alto de Pinheiros, iam usar drogas no Largo do Joquei Clube, aprender a roubar e traficar. Mas, como eu, inúmeros garotos e garotas hoje bem sucedidos, começaram a trabalhar ainda criança. Obviamente não era um trabalho forçado, em minas de carvão ou coisa assim, o que não recomendo. Tínhamos uma visão de mundo e dos negócios que quem não trabalha cedo não tem. Vi muita gente se formando em Direito e sem a menor noção do que era protocolar alguma coisa em uma repartição pública. Pode? Mas então chegou a tal da esquerda com suas ideias absurdas sobre educação infantil, sobre passar a mão na cabeça dos adolescentes, deixar fazer o que quiserem, proibir de trabalhar, dar liberdade total, a psicologia da permissividade. Inventaram o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, que só tem direitos e nenhum dever, etc. Deu no que deu. Hoje em dia, enquanto adolescentes drogados batem ou matam pais e professores, um Presidente bem intencionado não pode sequer falar o que estou falando aqui, que começou a trabalhar cedo, pois a mídia e os fanáticos esquerdistas caem de pau nele. É preciso ter coragem e enfrentar essa corja. Colocar a polícia dentro das escolas e prender adolescente vagabundo. Não é apreender, não. É prender mesmo, enjaular, engaiolar quem não andar nos eixos e não respeitar mais velhos. E processar pais irresponsáveis e covardes que tudo permitem e ainda reclamam se alguém der uma dura nos seus rebentos. Será que é tão difícil ser macho (no sentido de coragem, que algumas mulheres também tem de sobra) neste País? Já dei a ideia: Todas – eu disse TODAS – as escolas do País deveriam ter uma salinha com dois PMs, pagos pela Secretaria da Educação. Qualquer bagunça eles prenderiam os responsáveis, chamariam uma viatura e abririam um inquérito contra os menores e seus pais. Queria só ver quanto tempo demoraria pra essa bagaça entrar nos eixos!

A magnitude do nada

Devia ser perto do meio dia. O sol batia no para-brisa do carro com tal violência que mesmo o possante ar condicionado mal dava conta de refrescá-lo. Estávamos em meio a uma de nossas loucas viagens, em pleno deserto de Death Valley – o temído e perigoso Vale da Morte -, em Nevada, indo para a Califórnia. De repente me deu vontade de ver e fotografar alguma tropa de cavalos selvagens, daqueles que os índios domavam e montavam com tanta habilidade. Esse repentino desejo era certamente a vontade de voltar ao passado, me ver sentado numa poltrona do Cine Jardim, na Fradique Coutinho, assistindo a um Faroeste de primeira. Como Dora também é cabeça de vento e topa tudo, bastou sinalizar para ela concordar e eu tirar o carro da estrada e virar o nariz da pobre SUV para as areias tórridas e sem destino do instigante deserto. Lá não pega celular e não tem uma viva alma nem na estrada, imagine no meio daquele mar de areia e pedra. E se o carro quebrar? Bom, Graças a Deus não quebrou e estamos vivos. E lá fomos nós, literalmente aos trancos e barrancos. Uns quarenta minutos deserto adentro, paramos para tomar um lanche num Saloom, que mocinhos e bandidos também fazem isso. É claro que o saloom foi obra de minha imaginação. A mesa era o capô fervendo do carro. E saimos a pé para sentir melhor a temperatura… Então, em dado momento, quando Dora sumiu atrás de umas formações rochosas procurando uma caverna, olhei para aquele horizonte sem fim e comecei a pensar sobre a magnitude do nada. Geralmente não damos atenção ao vazio, ao silêncio, ao nada. Sempre queremos tudo. Não por ganância ou egoísmo, a não ser em casos específicos. Mas é que nos acostumamos ao movimento, à busca desenfreada pelas coisas, sem nem mesmo saber porque o fazemos. E, muitas vezes, o nada é mais significante do que o tudo. Veja na música, por exemplo, como as pausas, o silêncio repentino, o nada, valorizam a harmonia e a melodia. E quando você quer dormir e algum carro dispara o alarme? Um, dois minutos e sua cabeça parece querer estourar. De repente, o silêncio. Você não escuta mais nada. Seus instintos, que estavam concentrados naquele turbilhão invadindo seus tímpanos parecem ronronar de felicidade pela paz que te invade a alma. E o que é isso senão o nada? Aquele momento em que você não pensa, não se preocupa, ninguém te interrompe. A sensação do nada. Essa é a magnitude a que me refiro. Nosso corpo e nossa mente, principalmente nos dias atuais, estão em constante ebulição, com informações sobre tudo e sobre todos chegando a todo instante. Não fomos concebidos para viver esse pandemônio. Mas quem quer ser um alienado? O que dirão nossos amigos da Rede? É preciso estar atento e forte, como já dizia o poeta. Mas a verdade é que um pouco de quietude e paz faz muito bem à nossa mente, ao nosso corpo e à nossa alma. E, de repente, lá de cima de uma rocha, Dora grita, toda feliz: Avistou, no meio do nada, a uns dois ou três quilômetros de distância, uma tropa de cavalos selvagens digna de um filme de John Wayne. Guardamos as sobras do lanche, embarcamos no fiel bólido e pisamos fundo no acelerador dos sonhos, cavalgando um corcel pampa rumo ao passado, tão próximo e tão distante. Aiou, Silver!

Lula e a lâmpada de Aladim

Lula e a lâmpada de Aladim . Gleisi Hoffmann levou pro Lula, em sua confortável cela na prisão, uma lâmpada de Aladim. Ele esfregou – primeiro Gleisi, depois a lâmpada, -, ouviu-se um estampido, que pensaram ser um rojão pela sua soltura, e apareceu um gênio: “Senhor Presidente, o senhor tem direito a três desejos. Manda bala” “Começou a provocação, quem manda bala é Bolsonaro. Eu mando dinheiro pra fora. Mas vamos lá. Eu quero: Primeiro, sair da cadeia; Segundo, colocar no meu lugar o culpado por eu estar aqui; E em terceiro, dar muita risada da cara dele!” “Seu desejo é uma ordem, senhor. Um minutinho que já vou providenciar…” Meia hora depois volta o gênio com um espelho de mão, entrega pra Lula e diz: “Tá tudo ai. Comprei o espelho no camelô da esquina.” “Como, seu pilantra? Tás de conluio com o Moro, vagabundo? Cadê meus desejos?” “Não, senhor, apenas obedeci suas ordens: o senhor pediu pra sair da cadeia e colocar o culpado por estar ai em seu lugar para dar risada dele. O culpado por estar ai é o senhor mesmo, e pra dar risada de sua cara, só com um espelho. Esse foi o segundo desejo mais barato que já me apareceu. Valeu. Gratidão.” “Gratidão o cacete, coisa mais chata isso, Desgraçado, e qual foi o primeiro desejo mais barato?” “Foi um burro – de verdade – que me pediu, coitado, pra comer uma pizza ao menos uma vez na vida” “E ele pediu pizza do que?” “De capim, uai… E ainda sobrou um pedaço. Servido?”

A hora do porém…

“Analisando-se as provas contidas nos autos, destacando-se entre elas os vídeos, o depoimento de quatro testemunhas, o álibi apresentado – que coloca o Réu a quilômetros de distância no momento do crime – e as demais evidências apresentadas, não se pode vislumbrar o Réu – marido da vítima – a desferir-lhe as oitenta facadas que lhe causaram a morte… “

No banco dos réus um pequeno sorriso aparece nos lábios do principal suspeito, um médico de renome acusado de assassinar friamente sua mulher por motivo de ciúme. O olhar confiante lançado ao advogado não deixava dúvidas sobre o veredicto final a ser pronunciado em instantes: “Not Guilty, ou Inocente, para os pobres que não pensam em dólar”. Normalmente um homicídio, como é o caso, deveria ser julgado por um júri popular, mas como a história é minha, optei por um Juiz simples. Algum problema? Bom, voltando à vaca fria, digo, ao cadáver gelado, estávamos em um momento de êxtase para o Réu, antevéspera de sua tão sonhada liberdade, uma vez que estava preso há quase um ano esperando o julgamento. Logo ele, um cirurgião de renome, humilhado em praça pública, primeiro pela traição da desgraçada da mulher com o próprio motorista, com o padeiro, com o tintureiro, com um entregador de pizza do Ifood – cuidado com eles – e depois pelas manchetes de jornal. Mas, pelo andar da carruagem, aquelas palavras reconfortantes do Juiz – esse sim, um homem de verdade, corajoso, que não teria medo de ir contra a fúria popular – ele logo estaria em casa e no consultório, onde fez seu nome e seu dinheiro.

“No entretanto… “, continuou o Juiz.

“Não!!! No entretanto, não.”, ruminou o advogado num esgar. “ Essa maldita conjunção adversativa vai colocar tudo a perder…” O Doutor Inácio logicamente não estava pensando na liberdade de seu cliente, mas em seus honorários, que só receberia em caso de vitória. O doutor Manfredo, o cirurgião réu, viu, de seu banco – assento preferencial dos inocentes, lugar jamais ocupado por um culpado -, a preocupação estampada na cara de seu causídico. E não gostou nada disso.

“No entretanto…”, continuou o Juiz, “ a ausência do Réu no lugar do crime não o livra automaticamente de culpa. Sabido é que muitos assassinos não protagonizam o evento, pois, covardes que são, apenas mandam terceiros fazer o serviço sujo.”

Doutor Manfredo, que quase desmaiou ao som nefasto do “no entretanto”, já se sentindo mais enjaulado que leão de zoológico, recuperou a esperança quando ouviu da boca do magistrado um promissor advérbio de modo chamado ‘outrossim”.

“Outrossim”, continuou sua Excelência com um sorriso zombeteiro, “nem todas as traíções ensejam a morte da mulher, caso contrário a minha já teria passado desta para a melhor umas dezoito vezes, se é que meu detetive é tão bom de matemática quanto aquela sirigaita é de cama. Desculpando o desabafo, digo que não se pode acusar todos os maridos de mandantes, mesmo que motivos haja à sobeja”, disse o Juiz que gostava de uns termos estranhos, para gáudio – eu também gosto – do Réu, de cujos lábios mais uma vez assomou um sorriso, ainda que débil.

“Estou salvo”, gritou a plenos pulmões Doutor Manfredo, muito embora ninguém tivesse ouvido, pois era um grito subliminar, se é que me entende o prezado leitor. “Esse outrossim salvou minha vida. O desgraçado desse Juiz não vai mudar o rumo da conversa outra vez. Assim não há tatu que aguente. Graças a Deus posso voltar para minhas bandalheiras…” “PORÉM…”

“Não!!! Deus, dai-me forças para aguentar outra conjunção adversativa”, urrou o cornudo, digo, o médico, digo, o Réu.

“Porém, e sempre há um porém, novas provas carreadas aos autos nos dão segurança em afirmar que o Réu, na tenebrosa noite de vinte e dois de fevereiro do ano findo reuniu-se à sorrelfa com Dom Diego Tesoura, ex-toureiro espanhol conhecido por suas habilidades com uma espada. Nesse hediondo encontro firmaram um pacto, onde Dom Diego mataria a esposa traidora do contratante com, no mínimo, trinta facadas, que era pra ela deixar de ser besta e, em contrapartida o chifrudo lhe pagaria a importância de 50 mil pesetas, das quais dou ampla e geral quitação.” (Advogado, mesmo falando em nome do personagem, não perde o costume de passar recibo de honorários). Em vista do exposto, considero o Réu culpadode homicídio em primeiro grau por motivo torpe, condenando-o a vinte anos de prisão em regime de baixa caloria sem glúten e, desculpem, é a mania de minha mulher, digo, condenando-o a vinte anos de prisão mais dois meses e três dias em regime fechado. É o que decido. Evacuem o recinto com cuidado para não cheirar mal.”

E assim é que Doutor Manfredo, embora vingado, o que por si só não diminuiu um milímetro de sua galhada, foi condenado a vinte anos dois meses e três dias (até hoje não sei o porquê desses quebrados na dosimetria da pena), os quais cumpre galhardamente em um presídio federal onde se amigou com Manecão, um mulato de um metro e noventa conhecido por suas avantajadas competências, onde vive muito feliz, só não sabendo porque perdeu tanto tempo na vida com mulher, o que não é necessariamente a opinião do autor, que acha extremamente dura a vida da ficção, excetuando-se a realidade, que é bem pior…

Dia dos Namorados

Dia dos Namorados Para Dora. E para vocês. . Não faço o tipo romântico. Nunca fiz. Talvez por ser tímido, sei lá. Faço o tipo desligado e desastrado. Mas, na qualidade de eterno sonhador, sou, sim, um irrecuperável romântico. E Dora, minha inseparável companheira e namorada, é romântica por nós dois. Me traz flores TODOS OS DIAS até hoje. São pequenas florezinhas apanhadas na rua, em qualquer jardim, até aquelas pequeninas, amarelas, que nascem em meio à grama. E, cada vez que as recebo, dia após dia ao longo destes anos todos, que nem direi quantos para não assustá-los, percebo como sou um homem feliz em ter encontrado alguém que me ama de verdade, que se preocupa, que é companheira de todas as horas (e cada uma braba que vivemos, ela absorvendo minhas loucuras…). Só posso dizer que convivo com Dora vinte e quatro horas por dia, trabalhamos juntos em casa, caminhados oito quilômetros diariamente, viajamos constantemente, e o que não nos falta é assunto. Por isso, para mim todos os dias são dia dos namorados. Um beijo para você, meu bem! E, por falar em romantismo… A única vez em que tentei demonstrar ser um galã romântico foi quando, em Curitiba, onde moramos e nasceu nosso filho, eu ia para casa e percebi muitos vendedores de flores nos semáforos. Pensando em lhe fazer uma inusitada e inédita surpresa, comprei um buquê. Dos grandes! Todo garboso, entreguei as flores para Dora que aceitou sorrindo e disse: belo presente, aliás, o mais indicado para este Dia de Finados… Feliz Dia dos Namorados a todos os felizardos que conseguiram capturar um. E fé em Santo Antônio para os demais. Bjos.

O nó da gravata

Já comentei isso aqui. Mas precisamos voltar de vez em quando ao mesmo assunto porque, mesmo sendo uma fonte inesgotável de besteira, minha cabeça não é um computador de última geração, é no máximo um robocop gay, só que não, como se dizia nos primórdios destas redes. E é assim que, quando era jovem, comprava religiosamente nas bancas, me parece que a cada duas semanas, uma revista, a belíssima coletânea de histórias detetivescas chamada Mistério Magazine de Ellery Queen (EQMM). Era um espetáculo. Cada revista vinha, salvo engano, com cinco ou seis contos, de altíssima qualidade. Minha memória para enredos, filmes, livros, músicas, é péssima, graças a Deus, pois isso me permite jamais plagiar alguém. Não lembro nem de minhas próprias músicas. Sempre foi assim. But, uma das histórias que li em Ellery Queen ficou marcada em minha memória por um detalhe: havia um criminoso, que praticava seus ilícitos diariamente, e o qual ninguém conseguia descrever. Não conseguiam dizer se era alto ou baixo, gordo ou magro, branco ou negro. Após muitas elucubrações, o herói desse conto, um detetive famoso de quem me escapa – e escapa bem pra longe, talvez pra Tailândia – o nome, descobriu uma coisa em comum: todas as vítimas só se referiam à gravata do indigitado. Um dizia: “só lembro que usava uma gravata berrante, cor de abóbora” E outro: “não me lembro de nada a não ser da gravata, vermelha com enormes bolas azuis”. E nosso herói, a partir dai, descobriu a estratégia do bandido: usar roupas discretas e cara de paisagem associadas a uma gravata super berrante, daquelas de para trânsito em Manhattan. Assim, todas as atenções iam para o penduricalho pescocífero e as vítimas esqueciam do principal. Legal, né? Bons tempos em que ainda não haviam câmeras chinesas de reconhecimento facial, podíamos entrar nos motéis cumprimentando todo mundo… Saudades de Ellery Queen. E por que esse longo introito (palavra em desuso)? É por causa dos delinquentes do Centrão (leia-se PP) que foram tornados Réus ontem. Eles não tem cara, não tem rosto, não tem fisionomia, não tem personalidade. Posso olhar duzentas vezes para suas fotos que não os identifico em meio à massa amorfa do Congresso. Usam a mesma estratégia do criminoso da história. São invisíveis, individualmente, para não chamar a atenção. Mas, espertamente, apesar de que aposto essas toupeiras jamais leram Ellery Queen, praticam seus desmandos usando uma gravata berrante, um acessório pra desviar nossa atenção chamado Centrão. Ainda bem que por aqui podemos contar com nossos brilhantes detetives, heróis de carne e osso – como Sergio Moro e Daltan Dalagnol –, que parecem saídos das páginas de Ellery, para dar um fim a esse bandidos e ao crime, organizado ou não. Olho no Coringa, gente, que Batman sozinho não dá conta!

Uma história sem pé nem frango assado

Uma história sem pé nem frango assado Ana Julia, moça do interior, foi confessar com Padre Eustáquio. Confessou que ainda era moça. Padre Eustáquio a levou pra sacristia e mostrou com quantos paus se faz um banco de igreja. Só que, constatou-se depois, nem padre Eustáquio era padre, nem a moça era mais moça. Da relação nasceu um bacorinho a quem foi dado o nome de Sacristóvão. Padre Eustáquio o batizou em uma cerimônia três em um, onde foi o batizante, o pai e o padrinho. Ana Julia só chorava. Padre Eustáquio então cantou “Por quem chora Ana Julia” e ela chorou mais ainda, pois a letra estava errada, essa música é Por quem chora Ana Maria, do Juca Chaves. A música dela, desculpando o cacófato, é do Los Hermanos, banda dissolvida em ácido sulfúrico mês passado, Graças a Deus, já que o cantor é um chato, que casou com uma cantora mais chata ainda e que merecidamente levou uma chapoletada do Chorão, que Deus o tenha, no aeroporto de Congonhas, que entrou no assunto como Pilatos no Credo e Pilates na minha vida, mas que tirei logo. Padre Eustáquio, que de padre não tem nada, continua a ouvir moças no confessionário e levá-las à sacristia para fazer Sacristóvãos, pois sabe que quase nada do que dizem é verdade e quase nada do que faz também. E dá-lhe água benta, que enquanto o dólar sobe, a libido só despenca e a fila só aumenta…

O cofre

Digamos que ao nascer você recebesse um cofre cheio de riquezas: dinheiro, ouro, diamantes. Mas que não pudesse ver o quanto continha seu interior. Bastava enfiar a mão e pegar, quanto e quando tivesse vontade. O que você faria? Pegaria tudo de uma vez? Gastaria tudo de uma vez? Ou pegaria um pouco por dia? Ou não gastaria nada? Acontece que VOCÊ RECEBEU essa fortuna ao nascer. E o que contém esse cofre? Simplesmente a maior riqueza que você poderia um dia sonhar. Que vale mais que ouro, joias, pedras preciosas, dinheiro. Vale mais do que o poder de um presidente, de um rei, de um marajá. Vale mais do que o mais ambicioso de seus sonhos impossíveis. Sim, porque essa pequena fortaleza, cujo segredo é indesvendável e guardado a sete chaves por Deus, contem o Tempo. O Tempo, simplesmente o bem mais valioso que se pode obter e que, quando acaba, faz tudo o mais perder o sentido. Por isso, use-o com parcimônia. Agradeça todos os dias por ainda ter reservas em seu cofre. Não o desperdice. E procure ser seu amigo, ter mais prazer ao seu lado, dando valor às pequenas coisas e às grandes amizades, ao invés de reclamar de sua rápida passagem.

Manifestar-me-ei e não calar-me-ei…

O problema das manifestações é que a gente não sabe o que fazer lá. Vestimos a camisa verde/amarela, pegamos nossa mulher, encontramos uns amigos e vamos. No meio da multidão, todos com muita coisa entalada na garganta e sem oportunidade de extravasar. No máximo algumas frases cheias de ódio ou esperança para nosso vizinho de calçada. Mas só quem fala é uma meia dúzia de gatos pingados que, não sei como, sempre estão em cima dos trios. Igualzinho ao carnaval. Eu daria tudo pra subir num trio elétrico (e descer imediatamente, claro), mas nunca subi. Para se ter acesso a essas áreas nobres é preciso pertencer à tchurma, sair badalando meio mundo, frequentar reuniões chatíssimas em diretórios, sacristias, escritórios políticos ou associações de bairro. E isso eu não aguento. Simplesmente porque a maioria que gosta desses regabofes políticos, mesmo que comunguem de meus princípios e ideologia, na verdade estão querendo um lugar ao sol, seja como candidato, como assessor ou como aspone. E, sinceramente, isso pra mim não dá. Então prefiro fazer meu trabalho nas redes, apontando erros, analisando comportamentos, criticando. E, quando vou nas manifestações, fico assim meio sem graça, cumprimentando os conhecidos ou quem me reconhece da Internet, mas louco pra ver tocar o Hino Nacional: hora de ir embora torcendo pra que as manifestações pelo Brasil tenham sido as maiores de todos os tempos e que os congressistas sintam medo da ira popular. Infelizmente, nem uma coisa nem outra. Aqueles vagabundos continuarão mandando no Brasil e ninguém pode fazer nada. Mas, tenho fé, um dia a coisa muda, por bem ou por mal. Pior é ver a versão do evento que a mídia nos oferecerá: se for do Bolsonaro eles mostrarão os piores ângulos, as cidades mais esvaziadas, e farão questão de mostrar os números da Polícia Militar, sempre menores que os dos promotores. Nos protestos de esquerda, não: é só o lado bom da coisa, só a versão mais favorável a eles mesmos. Haja saco! E simbora que lá vem o Hino!