O nó da gravata

Já comentei isso aqui. Mas precisamos voltar de vez em quando ao mesmo assunto porque, mesmo sendo uma fonte inesgotável de besteira, minha cabeça não é um computador de última geração, é no máximo um robocop gay, só que não, como se dizia nos primórdios destas redes. E é assim que, quando era jovem, comprava religiosamente nas bancas, me parece que a cada duas semanas, uma revista, a belíssima coletânea de histórias detetivescas chamada Mistério Magazine de Ellery Queen (EQMM). Era um espetáculo. Cada revista vinha, salvo engano, com cinco ou seis contos, de altíssima qualidade. Minha memória para enredos, filmes, livros, músicas, é péssima, graças a Deus, pois isso me permite jamais plagiar alguém. Não lembro nem de minhas próprias músicas. Sempre foi assim. But, uma das histórias que li em Ellery Queen ficou marcada em minha memória por um detalhe: havia um criminoso, que praticava seus ilícitos diariamente, e o qual ninguém conseguia descrever. Não conseguiam dizer se era alto ou baixo, gordo ou magro, branco ou negro. Após muitas elucubrações, o herói desse conto, um detetive famoso de quem me escapa – e escapa bem pra longe, talvez pra Tailândia – o nome, descobriu uma coisa em comum: todas as vítimas só se referiam à gravata do indigitado. Um dizia: “só lembro que usava uma gravata berrante, cor de abóbora” E outro: “não me lembro de nada a não ser da gravata, vermelha com enormes bolas azuis”. E nosso herói, a partir dai, descobriu a estratégia do bandido: usar roupas discretas e cara de paisagem associadas a uma gravata super berrante, daquelas de para trânsito em Manhattan. Assim, todas as atenções iam para o penduricalho pescocífero e as vítimas esqueciam do principal. Legal, né? Bons tempos em que ainda não haviam câmeras chinesas de reconhecimento facial, podíamos entrar nos motéis cumprimentando todo mundo… Saudades de Ellery Queen. E por que esse longo introito (palavra em desuso)? É por causa dos delinquentes do Centrão (leia-se PP) que foram tornados Réus ontem. Eles não tem cara, não tem rosto, não tem fisionomia, não tem personalidade. Posso olhar duzentas vezes para suas fotos que não os identifico em meio à massa amorfa do Congresso. Usam a mesma estratégia do criminoso da história. São invisíveis, individualmente, para não chamar a atenção. Mas, espertamente, apesar de que aposto essas toupeiras jamais leram Ellery Queen, praticam seus desmandos usando uma gravata berrante, um acessório pra desviar nossa atenção chamado Centrão. Ainda bem que por aqui podemos contar com nossos brilhantes detetives, heróis de carne e osso – como Sergio Moro e Daltan Dalagnol –, que parecem saídos das páginas de Ellery, para dar um fim a esse bandidos e ao crime, organizado ou não. Olho no Coringa, gente, que Batman sozinho não dá conta!

O caso Neymar/Najila

Minha opinião sobre o caso Neymar/Najila Após muitas brincadeiras, vou falar sério. Najila, uma moça descasada e com filho, como tantas outras neste Brasil sofrido, estando solteira tinha todo o direito de encontrar alguém rico e famoso para namorar. O Poder, o sucesso e o dinheiro exercem uma atração real sobre homens e mulheres. Isso não me parece apenas interesse financeiro. Esse é apenas um dos componentes. Então a moça, ao fazer uma amizade com um cara tão famoso, se empolgou e sonhou em ser a Bruna Marquezine da vez, quem sabe até casar, frequentar o jetset e dar uma boa vida pro filho, pra ela, pra mãe, etc. Embora eu não adote como modelo de vida, acho que é legítimo e faz parte da cultura nacional. Neymar, por seu lado, cheio de grana e ócio, ao ver uma tremenda gata lhe dando bola, resolveu pagar sua passagem para curtir uns bons momentos. Extravagante, mas também legítimo. O cara sai da favela, mas a favela não sai da pessoa. Muitas celebridades que vieram de baixo e ficam milionárias, almejam voltar e mostrar para os amigos de infância como subiram na vida. Então ele pode morar na Europa mas seu coração está no Brasil. Também me parece legítimo que quisesse ficar com uma brasileira, apesar de ter tantas loiraças por lá se jogando em cima dele. Acontece apenas que as coisas não rolaram como previsto. Neymar chegou pro encontro alterado, meio bêbado, e partiu pro ataque, coisa que ela também queria. Ai vem um pormenor deveras importante: 99% das “Marias Chuteiras” que vagam por aí rezariam por uma transa sem camisinha com o milionário. Mas Najila, provando seu bom caráter, espantosamente recusou. Até ai, pelados no baile, no meio das loucas preliminares, Neymar bêbado e a moça extasiada perto do ídolo, os dois foram incapazes de controlar seus movimentos. Ela querendo parar após incentivá-lo ao máximo. Ele querendo continuar, mesmo após o pedido – não tão significativo – para parar. Parece que após uns tapinhas iniciais no bumbum da moça, com sua aprovação, ele começou a extrapolar e bater com mais força. Analisando tecnicamente o caso, eu não chamaria o acontecimento nem de estupro, nem de agressão. Chamaria de humilhação, de injúria, que é a ação de ofender a honra ou a dignidade de alguém. A moça, então, se sentindo humilhada e, principalmente, ao ver seu sonho se desfazer, armou uma cilada para Neymar no dia seguinte, deixando o celular gravando e o provocando, para ver se conseguia umas cenas de agressão. Pura vingança boba. Ao chegar ao Brasil, escolheu mal seus advogados, que, vendo a chance de uma bolada, partiram para a chantagem contra o jogador, apenas por agressão. Ela, sentindo-se novamente humilhada ao ver que ninguém acreditava em seu relato, à revelia do advogado fez um BO, desta vez por estupro. Resumo da ópera: Erraram os dois, Neymar e Najila. Neymar é um bom moço, apesar de mimado. Gosto dele, mas também errou. Ele, por extrapolar na relação, ser arrogante, querer transar sem camisinha e bater com força acima do desejado. Ela por, sentindo-se impotente e humilhada, fazer falsas acusações de estupro e agressão. Dinheiro o governo e empresas dão todos os dias para familiares de vítimas fatais como compensação, ainda que vida não tenha preço. Por que não terminar essa pendenga com um acordo financeiro, já que os dois erraram? Para Neymar, dois ou três milhões não é nada. Um processo é tudo. Para a moça, dois ou três milhões é tudo e um processo é nada. Sei que as mulheres estão totalmente contra a moça. Dora também. Mas, caminhando hoje pela praia, consegui convencê-la – ao menos em parte – que nem tudo é preto e branco. Os variados tons de cinza mostram que nessa história, como na maioria das outras entre casais, não existe um 100% mocinho e um 100% bandido. Quem for santo levante a mão… (Percy Castanho Jr.)