Meia volta ao mundo sem avião – Capítulo 2

Meia volta ao mundo sem avião – Capítulo 2


St. George,  Granada, Caribe.

 

Com uma beleza de tirar o fôlego, Granada – conhecida em todo o mundo como a
“Ilha das Especiarias” por sua importante produção de noz-moscada, canela,
gengibre, baunilha e cravo – recebe os turistas de suas praias paradisíacas
e resorts de luxo com uma variedade de paisagens, aromas e sabores que
despertam os mais resistentes sentidos.
Situada a 160 km do litoral da Venezuela, esta pérola do Caribe, formada
pela Ilha de Granada e pela metade sul das Ilhas Granadinas, conta com
cenários deslumbrantes, capazes de proporcionar momentos inesquecíveis ao
contato com a natureza, além de muita diversão para toda a família e para todos os gostos.
Descoberto por Cristóvão Colombo em 1498, o arquipélago de 344 km² e 110 mil
habitantes é um refúgio ideal para quem gosta de aventura. Suas paisagens
repletas de montanhas, vulcões, florestas tropicais e cachoeiras que dividem
espaço com 45 praias de areias brancas e nove de areias pretas –
consideradas as melhores da região – permitem ampla gama de atividades ao ar
livre.
Com clima quente e úmido o ano inteiro, as três ilhas – Granada, Carriacou e
Petite Martinique – são destino certo para os amantes da combinação sol,
areia e mar. Entre as mais badaladas praias, a famosa Grand Anse Beach, de
três quilômetros de extensão, é a mais bonita do País e conquista seus
visitantes com serviços especiais, como passeios de barco, aluguel de
cadeiras, restaurantes e lojas de artesanato.
Tão bonita quanto, porém com menos turistas, a Morne Rouge Beach, localizada
no lado oeste da ilha de Granada, é uma opção para quem deseja sentar,
relaxar e desfrutar do sol do Caribe. Com mar de água rasa, o local também é
uma boa pedida para as famílias com filhos pequenos.
Já na ilha de Carriacou, o destino obrigatório é a Paradise Beach, um
verdadeiro pedacinho do paraíso com recife de proteção que permite aos
visitantes nadarem em águas bem calmas.  Em Petite Martinique, a dica é
explorar as ilhotas e belas praias da Aldeia de Paradise.

 

Em nossa estada optamos por ficar à beira mar num resort, na famosa Praia de Grand Anse Beach, desfrutando das águas mornas azuis turmalina do Caribe, enquanto tomávamos um drinque. Incomparável!

Embora Granada não tenha a mesma fama de outras ilhas quando o assunto é mergulho, o arquipélago também oferece boa variedade de espécies marinhas e
locais próprios para a prática subaquática. Por isso, os apaixonados pelo
esporte devem marcar presença no sul da Grand Anse Beach e nas praias de La
Sagesse e Underwater Sculpulture Park, localizada na Molinière Bay do País.
Além disso, vale a pena visitar os resorts, centros de esportes aquáticos e
lojas de mergulho, presentes principalmente na Grand Anse Beach e na Ilha
Carriacou, para curtir aventuras no fundo mar.

Um pouco de história:

A língua oficial é o inglês. Fala-se também o Patois, dialeto franco-africano.

A população é predominantemente negra e bastante receptiva.
A forma de governo adotada em Granada é a monarquia
parlamentarista . Granada integra a Comunidade Britânica de Nações, e o
monarca britânico, o chefe de Estado . O governo é dirigido pelo
primeiro-ministro , responsável ante o Parlamento, que se compõe de 15
representantes eleitos por cinco.
Granada foi descoberta em 15 de agosto de 1498 por Cristóvão Colombo , que lhe deu o nome de Concepción . Os espanhóis, porém, não tentaram colonizá-la: manteve-se em poder dos caribes por mais de um século e meio.
Em 1650, o governador francês da Martinica fundou uma colônia em Saint
George’s e exterminou os índios caribes . Até 1762, a ilha permaneceu sob
domínio dos franceses , que importaram escravos negros para a plantação de
cana-de-açúcar . Nesse ano a ilha passou a depender da coroa britânica ,
que a perdeu após um ataque francês em 1778 e a recuperou definitivamente
em 1783, pelo Tratado de Versalhes .
Entre 1795 e 1796, ocorreu uma rebelião de escravos, fomentada pelos
franceses e sufocada pelos britânicos . Em 1833 aboliu-se a escravidão .
De 1885 a 1958, Granada foi o centro administrativo das ilhas britânicas de
Barlavento e de 1958 a 1962 membro da Federação Britânica das Índias
Ocidentais. Cinco anos depois tornou-se um dos Estados Associados das
Antilhas Britânicas, com regime autônomo.
A 7 de fevereiro de 1974 transformou-se em estado independente . Em 1979,
um golpe de Estado de inspiração marxista levou ao poder Maurice Bishop, que
estreitou os laços com Cuba e a União Soviética. Uma cisão dentro do grupo
governante desembocou na insurreição dirigida pelo general Hudson Austin em
outubro de 1983, que deu lugar ao regime atual.

Willemstad, Ilha de Curaçao, Mar do Caribe

 

Curaçao é uma pequena joia incrustada em meio ao azul do Mar do Caribe. Antigamente pertencia às Antilhas Holandesas, de onde vem sua colonização, que se seguiu à conquista espanhola.

Como não podia deixar de ser, nosso destino era a praia, mais precisamente o aquário, onde golfinhos fazem exibições de tirar o fôlego. Depois passamos a tarde em preguiçosas cadeiras à beira mar tomando um drink feito com o licor de cascas de laranja que é o orgulho da ilha e leva seu nome: Curaçao.  O que faz
Curaçao tão especial entre as ilhas do Caribe? A autenticidade. Durante
séculos, foi construída uma rica cultura baseada na história e na hospitalidade.
Seu patrimônio é europeu e africano, representando mais de 50 nações.
Na ilha fala-se holandês, espanhol e inglês, e também a língua local o
papiamento, um colorido dialeto crioulo.
A melhor parte de explorar Curaçao é que tem que ser descoberto, como um
exclusivo sitio apartado do Restodas “pequenas ilhas ABC” Aruba, Bonaire, e
Curaçao – este escondido pedaço de paraíso é o segredo melhor guardado do
Caribe. A Junta Turística de Curaçao está sempre presente e ajuda turistas  a descobrir todas as maravilhas de Curaçao. As pessoas locais e os visitantes se misturam em
harmonia na ilha. Pode-se relaxar e descansar em meio aos simpáticos curaçoenses trabalhando, jogando, e desfrutando da vida ao máximo, da mesma maneira que eles fizeram durante gerações inteiras. Os ilhéus adoram sociabilizar, e assim que o veem, agitam a mão e lhe dizem amistosamente “Bon Bini!” (bem-vindo!) ou
“Kon ta bai?” (Como vai você?). Curaçao, um lugar para se voltar mais vezes!

 

 

 

Orangestad, Aruba, Mar do Caribe

 

 

 

Nossa próxima parada foi em Aruba, outra pérola do Caribe. Em Oranjestad, a capital, pode-se apreciar as construções coloridas de influência holandesa, já que a ilha faz parte dos Paises Baixos. Além de compras na simpática cidade, fomos a duas praias famosas, Palm Beach e Baby Beach. O Papiamento, a língua predominante entre os nativos, é bastante parecida com o português, mais uma mistura de espanhol. Treinando um pouco dá para se comunicar bem com os simpáticos habitantes. Da cidade partimos para Palm Beach, uma das mais famosas praias do Caribe. Em Palm Beach, pode-se encontrar alguns dos resorts que fazem a fama de Aruba. Confortavelmente instalados em espreguiçadeiras à beira-mar, ficamos nos divertindo com as peripécias de alguns malucos à bordo de uma espécie de helicóptero movido a jato d’água. Fizemos vários passeios de barco, jet ski e uma espécie de banana boat redonda que te joga com força na água e faz rodopios a uma velocidade alucinante. A cor e a temperatura da água seguem o padrão do Caribe, simplesmente deslumbrantes. Um jantar verdadeiramente reconfortante à base de frutos do mar foi a forma que encontramos para nos despedir de lugar tão agradável.  Aruba é a ilha de maior retorno de todo o Caribe. A grande maioria das pessoas volta à ilha duas ou três vezes. Sinal de que o passeio vale a pena. 

 

 

GeorgeTown, Gran Cayman, Mar do Caribe

 

 

Muitos já ouviram falar de Gran Cayman, a ilha dos investimento milionários, um paraíso fiscal repleto de bancos, seguradoras e escritórios de alto luxo, lugar onde grandes fortunas são guardadas devido às facilidades encontradas na fiscalização e aos baixos impostos. Nada mais verdadeiro. Os maiores e mais modernos transatlânticos do mundo costumam se cruzar no porto de Georgetown. Quando chegamos, já estava atracado o maior navio do mundo, um gigante. O nosso, que não fez feio, está entre os cinco maiores. Lado a lado, representavam uma cidade independente, com milhares de turistas de todo o mundo. Uma beleza. E a saída de um navio é sempre uma festa, com os apitos soando forte e as pessoas acenando. Andando pela cidade você percebe a quantidade de carros luxuosos, joias e artigos de luxo, tanto à venda como sendo usados pelos mais abastados. Contrastando com Aruba e Curaçao,  Cayman respira a cultura  inglesa, sua língua principal. Aqui você vai viver cercado por iguanas, arraias e tartarugas gigantes. Nadamos no meio das arraias e das tartarugas, uma experiência fantástica, apesar de um pouco assustadora. Mesmo junto ao porto as águas claras do Caribe lhe permitem visualizar cardumes enormes de peixes das mais variadas espécies nadando tranquilamente. Pode-se notar a preocupação dos locais com a preservação do meio ambiente, tanto nesta ilha como em todas as outras do Caribe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Falmouth, Jamaica, Mar do Caribe

 

 

E então, passando ao largo, mas bem pertinho de Cuba, chegamos ao colorido mundo da Jamaica. Tudo o que você já ouviu sobre a ilha dos dreadlocks, aqueles cabelos enrolados em tranças fantásticas, de Bob Marley, de Jimmy Cliff, é verdade. Esta é a terra do colorido, da música, da alegria e da tranquilidade. Como não poderia deixar de ser, da cannabis também. Mas é bom ficar esperto. No porto de embarque há um cartaz que diz algo como: “Boa viagem. Esperamos que tenha aproveitado a estadia. Mas lembre-se que portar drogas é crime e se você for pego com alguma espécie de droga no porto ou no navio será preso…” Isso é para arrefecer o ânimo dos turistas mais animadinhos.

Aproveitei a estada na Jamaica para cumprir o segundo estágio de meu curso para ser um homem destemido! Sim, o primeiro estágio foi no submarino, lembram-se? Aqui, resolvemos fazer um passeio à cavalo proporcionado pelo navio. As imagens mostravam intrépidos jovens cavalgando fogosos cavalos à beira mar. Achei incrível e, como adoramos cavalos, resolvemos experimentar. Assim, pegamos um ônibus com mais alguns passageiros e lá fomos nós, para o outro lado da ilha. Demoramos quase duas horas passando por paisagens fantásticas, ora do interior, ora do litoral, com o ônibus serpenteando por uma estradinha não muito confiável e bastante perigosa. Afinal chegamos ao sítio, uma espécie de fazenda, com muitos animais belíssimos, Após um lanche, selamos nossos animais e saímos para um passeio por trilhas na mata. Todo mundo em fila, sempre ciceroneados por meia dúzia de legítimos peões jamaicanos, todos de dreadlocks, que cantavam e davam risada em altos brados. Acho que estavam sob os auspícios de Bob Marley… Alguns galopes, alguns trotes, mas nada que oferecesse maior risco. Eu já estava ficando meio decepcionado com o passeio quando chegamos a uma praia. Lá, meus amigos, acreditem se quiser. Descemos dos cavalos e pegamos outros, bastante ariscos, que tivemos que montar em pelo, sem sela e sem estribo,  somente com o freio. Era coisa pra gente experiente. A maioria desistiu. E então, sob o comando dos dreadlocks, começamos a galopar em direção ao mar. Imaginei que, lá chegando, continuaríamos o galope pela areia. Pois sim. Os doidos entraram galopando mar a dentro e nós, mais loucos ainda, fomos atrás. O passeio consistia em ir bem longe mar a dentro, mas bem longe mesmo, com os cavalos nadando a todo vapor e nós nos equilibrando em cima, apenas segurando as rédeas. E era um tal de cavalo a nadar, mergulhar, bufar, pular onda e fazer curvas e acrobacias, sempre ao som da cantoria dos simpáticos e doidões jamaicanos. Para mim, que não sei nadar, vocês podem imaginar o que é cavalgar em alto mar sem salva vidas, sem nada. Só com a coragem, que já não é muita… Do alto de meu alazão vi uns três infelizes perderem o equilíbrio e mergulharem no mar, sendo resgatados pelos intrépidos e doidões jamaicanos. Mas foi uma aventura e tanto, incrível mesmo. Por isso, acho que mereci passar para o terceiro estágio no meu curso de Super Homem!

Exaustos, mas extremamente satisfeitos, voltamos para a cidade, onde passeamos muito e curtimos as tradições da paradisíaca ilha de Jamaica, sempre ao som de um reaggae bem executado.     

 

 

 

Meia volta ao mundo sem avião – Capítulo 1

Meia volta ao mundo sem avião

 

 

 

Prefácio

 

 

E de repente deu aquela vontade de viajar. Mas não um passeio qualquer. A vontade era fazer uma viagem pra ninguém botar defeito,  longa, fantástica, arrepiante e desafiadora, por lugares ainda não vistos, ao menos por nós. Transformar um sonho que habita a cabeça da maioria das pessoas em realidade: uma viagem ao redor do mundo. Esse sonho nasceu e foi tomando corpo em nossas conversas ao longo das caminhadas diárias que fazemos pela orla da praia de Santos, cidade maravilhosa que escolhemos para viver. Só que por aqui a aposentadoria ainda não chegou. Trabalhamos, e muito, ainda que não tenhamos horário nem local definido, visto que a empresa é nossa e atua basicamente na Internet. Mesmo não sendo uma grande empresa, sempre sobra um dinheirinho para essas aventuras. Mas, e sempre tem um mas, havia um obstáculo quase intransponível a vencer antes de se pensar em sair do País. Acontece que não ando de avião em hipótese alguma. Já andei diversas vezes, sendo que na última viagem, ocasião em que embarquei em Salvador com destino a São Paulo, fingindo que ia ao banheiro “fugi” do avião quando a aeronave parou no Rio e fiz o resto do trajeto de trem. Os amigos que comigo viajavam estão me esperando voltar do banheiro até agora… Nunca mais pus os pés num avião. Aeroporto já me dá arrepios, mesmo que seja para acompanhar alguém. Eu sei que é um dos mais seguros meios de transporte. Mas, quando vejo aqueles objetos grandalhões correndo pela pista, até o último segundo continuo acreditando que, por mais que corram, assim como um urso panda jamais serão capazes de alçar voo. Quando decolam, principalmente quando levam algum parente meu, transpiro e rezo sem parar até vê-los desaparecer no horizonte. Ai acalmo um pouco. Como um indivíduo com tal síndrome poderia viajar de avião achando que iria se divertir? Não tem jeito. Dessa forma o sonho da viagem parece que não ia dar certo mesmo. Mas, pera lá!  Não teria jeito se não houvesse outros fantásticos meios de transporte que amo, chamados navio, trem e automóvel. A partir dessa ideia é que nosso sonho começou a tomar forma. Tudo começou com a notícia de que por ocasião da Copa do Mundo de Futebol no Brasil um navio da MSC Cruises viria dos EUA para cá trazendo torcedores mexicanos e, na volta, em julho de 2014, faria um cruzeiro pelo Caribe terminando nos EUA, mais precisamente em Miami. Normalmente as companhias de navegação não fazem a rota Brasil/EUA, motivo pelo qual eu não conhecia a América do Norte. Dessa forma, pensei: “Ok, nosso transporte até Miami estava teoricamente garantido, Mas, e pra voltar?” Ai a viagem começou a tomar forma. Não sei se todos conhecem este fato, mas algumas grandes companhias de navegação que fazem cruzeiros de verão na Europa, mandam seus navios para a América do Sul para aproveitar a temporada de verão daqui, só voltando para a Europa em meados de abril. Essas viagens entre a Europa e América, chamadas de Travessias Oceânicas ou Grandes Viagens, são maravilhosas. Duram aproximadamente vinte dias e vão parando em portos pré-determinados, normalmente cidades dedicadas ao turismo. A travessia em si demora apenas cinco dias. Já fizemos outras viagens para a Europa utilizando esse meio e adoramos. Bom, voltando a  nosso  plano, descobri que o navio Queen Mary II, pertencente a uma das mais antigas e luxuosas companhias de transporte marítimo, faz travessias regulares entre Estados Unidos (New York) e Inglaterra (Southampton).

Pronto, estava formatado, ainda que rusticamente, o roteiro de nossa viagem, chamada meia volta ao mundo sem avião, que incluiu:

 

1)    Navio do Brasil para EUA (Miami), visitando o nordeste do Brasil e diversas ilhas do Caribe, incluindo Granada, Aruba, Curaçao, Gran Cayman, Jamaica e Barbados.

2)    Uma road-trip (viagem de carro) sem destino, atravessando os EUA de sul a norte seguindo a costa leste, de Miami a New York, passando por vários estados e cidades americanas, para conhecer de perto sua cultura diversificada.

3)    Um mês em New York, Boston, New Jersey e redondezas.

4)    Travessia do Atlântico em direção Leste, pelo  navio Queen Mary II, dos EUA(New York) ao Canadá(Halifax) com destino à Inglaterra(Southampton)

5)    Viagem pela Inglaterra, Londres e arredores, culminando com travessia  Londres/Paris sob o Canal da Mancha nos trens da Eurostar.

6)    Viagem  pela Europa à bordo de trens, carros e navios de cruzeiro, incluindo França. Alemanha, Suiça, Itália, Espanha, Grécia, Luxemburgo, Suécia, Finlândia, Noruega, Portugal, Lichstein, Áustria, Eslováquia, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Tirol

7)    Viagem de trem e navio à Rússia

8)    Volta ao Brasil em dezembro a partir da Itália(Genova) pelo navio MSC Poesia, visitando Itália, Espanha, Portugal, Ilha da Madeira(Funchal) passando ao largo do continente africano, Arquipélago de Santa Marta, Fernando de Noronha, Recife, Maceió, Salvador, Rio de Janeiro e, finalmente Santos.

 

Resumindo: Esta viagem seria (como foi) uma meia volta ao mundo em cento e oitenta dias, sem avião. Pelo tanto que nos divertimos e pelas aventuras que passamos, acho até que daria um livro…

 

 

Do Planejamento.

 

Para você, que gosta das coisas muito bem planejadas, este capítulo poderá parecer meio frustrante. Sinto informa-lo que não planejamos coisa alguma. Foi tudo no improviso, de supetão, como nos veleiros, aproveitando o vento que soprava de popa.

Assim, de planejado mesmo só definimos a data de partida, em julho de 2014, pelo único meio disponível, o incrível navio MSC Divina, um dos maiores do mundo. De resto, sabíamos que deveríamos pegar um navio da MSC em Genova, lá pro fim do ano, que nos trouxesse de volta pra casa. Mais nada. O resto, hotéis, passeios e destinos, decidíamos na véspera, à noite, quando já estávamos satisfeitos com uma cidade, olhando num  mapa do Google e reservando o hotel por um site fantástico de reservas, o Booking.com que, além de tudo, tem avaliações bastante confiáveis.

Apesar das estripulias, aventuras e micos de diversos tipos que, espero, o divertirão a partir de agora, nossa viagem foi um sucesso absoluto, sem nem ao menos uma dor de barriga para atrapalhar a diversão. Faço votos de que esta leitura o incentive a se mexer e partir em busca de novas aventuras, que certamente abrirão mais sua cabeça e o deixarão mais culto, feliz, saudável e confiante.

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo I

 

 

A viagem

 

 

Estava uma manhã radiante, com o sol a brilhar em todo o seu esplendor quando fomos, devidamente escoltados pelo filhote e por Luna, nossa Yorkshire, para o Porto de Santos. A visão majestosa do magnífico transatlântico MSC Divine nos deixou boquiabertos e ansiosos por embarcar. Embora acostumados a viajar em grandes e novos navios, a presença do Divine, um dos maiores e mais modernos navios  do mundo, pela primeira vez na América do Sul, nos deixou sem fôlego. E a impressão inicial só se confirmou à bordo. Após as calorosas despedidas, subimos à bordo, sendo recepcionados por uma tripulação bastante cordial.

É incrível a quantidade de atividades que se pode desenvolver em um desses cruzeiros. Você passa dezenove dias e não chega a conhecer todo o navio. É como se estivesse numa pequena cidade, com seus shopping centers, cinemas, restaurantes, sorveterias, igrejas, cassinos e clubes. Com a vantagem de que todo o mundo se conhece. Sim, pois é impossível viajar num cruzeiro desses sem fazer novas e duradouras amizades,  com gente viajada e interessante. Temos uma infinidade de amigos amealhados em nossos cruzeiros e estamos sempre a nos encontrar, seja em terra, seja em mar. Porque, uma vez marinheiro,  sempre marinheiro. A coisa vicia…

 

Salvador, Bahia, Brasil

 

De Santos seguimos viagem rumo norte/nordeste em direção à Salvador. Normalmente os cruzeiros se dividem em duas etapas: navegação e parada em algum porto. Quando se está navegando, aproveitamos o dia em diferentes atividades, piscina, academia, tomando sol, fazendo caminhadas ou praticando algum esporte, na sauna. Ou então em alguns dos excelentes bares e restaurantes à bordo. Quando o navio para em algum porto, é hora de conhecer novas cidades. Os cruzeiros oferecem opções de passeios programados, mas você também pode sair por conta própria. Em Salvador, onde já moramos, foi hora de matar saudades do Pelourinho e suas casas coloridas, da Estrada do Coco e suas praias maravilhosas, de Itapuã, do Elevador Lacerda que nos leva da cidade baixa à cidade alta, do Mercado Modelo e suas infinitas e irresistíveis quinquilharias, e da praia da Barra e do Farol, onde comemos um excelente peixe Vermelho acompanhado de uma farofa ao azeite de dendê. À noitinha embarcamos para alguns dias de navegação com destino ao Mar do Caribe.

 

Bridgetown, Ilha de Barbados, Mar do Caribe

Depois de cinco dias muito divertidos de navegação, chegamos em Barbados, magnífica ilha, de colonização Britânica, onde as pessoas se vestem impecavelmente, as mulheres, negras belíssimas e muito elegantes, sempre de vestidos ou saias longas portando sombrinhas. A visão é incrível e a educação do povo nos faz lembrar realmente da fleuma britânica. A comprovar a beleza das locais,  a exuberante Rihanna, uma das cantoras de maior sucesso da atualidade, nasceu em Barbados.

 O inglês é a língua corrente no País. Aqui devo fazer um parênteses para informa-los de algo a meu respeito. Como vocês devem ter percebido, sou um bocado medroso, uma vez que não subo em avião. Mas não é só avião. Sempre tive medo de altura, só pego elevadores até o décimo quinto andar (pode?) e não frequento varandas nem olho pela janela de apartamentos altos. Também tenho claustrofobia, detesto ambientes fechados. Enfim, sou um estudo psiquiátrico completo, a felicidade de qualquer analista, se algum dia tivesse ido a um… Estou contando isto para vocês apreciarem melhor tudo o que nos aconteceu na viagem, e as frias em que me meti…

 

 

 

Em Barbados pegamos um ônibus panorâmico que nos levou a uma marina. E o que havia lá de interessante? Simplesmente um passeio de submarino. Mas não pense que é um desses barcos turísticos com fundo de vidro. Não, meu amigo. É um submarino de verdade. Imagine agora eu, que não gosto nem de elevador, dentro de um casulo desses. Impossível, né?

Acontece que comprei duas passagens, me enchi de coragem e disse pra Dora: “Seja o que Deus quiser, vamos nessa…”

E lá fomos nós. O submarino não fica na costa. Você tem de pegar uma lancha que te leva até alto mar, local onde o submersível está. É a visão mais impressionante do mundo, parece realmente um daqueles submarinos de guerra. Então entramos, entramos não, descemos, pois apenas uma pequena parte do convés fica à vista. Você desce por uma estreita escada, passa por duas portinholas e chega lá embaixo, um ambiente escuro, com claraboias gigantescas mostrando o fundo do mar. Só a sensação de estar abaixo do nível da água já é desconcertante. Associe-se a isso o barulho enorme dos motores e toda a complexa aparelhagem do piloto, maior do que a de um Boeing  que ocupa toda a frente e mais o teto do submarino. E de repente as comportas se fecham, o zumbido aumenta e percebemos que estamos submersos. Apreensivos, ouvimos a voz do comandante dizer que vamos começar a descer. Fico de olho num medidor de profundidade, que marca em pés o quanto nos arriscaremos dentro do oceano. Alguém solta as amarras e o bicho começa a descer. A sensação é indescritível. Trinta pés, trinta e cinco, quarenta. Quando o submarino se inclina para a frente, a sensação é de que jamais conseguiremos voltar pra superfície. Mas encarei corajosamente, principalmente pela beleza da fauna marinha daquele exótico e inconfundível mar do Caribe. E a cada vez que me acalmava os motores rugiam e o altímetro anunciava uma nova profundidade. Sessenta pés, sessenta e cinco, setenta. E a profusão de peixes e estranhas criaturas marinhas ia aumentando à medida em que descíamos, provocando sensações diversas, entre o êxtase e a loucura. Quando chegamos a cento e quarenta e cinco pés, pude ver o fundo do mar, muito branco com sua areia lisa e então me acalmei. Chegamos assim aos escombros de um navio pirata naufragado. Incrível a sensação de estar mergulhando e podendo observar in loco um naufrágio. Me senti o próprio Jacques Costeau.  Quando começamos a subir eu já me sentia como um perfeito marinheiro de submarino, pronto a enfrentar as mais duras batalhas. Foi uma sensação muito boa, de vencer o pânico. Prometi a mim mesmo que durante essa viagem quebraria diversos tabus e enfrentaria perigos mil. Vocês verão que eu não estava mentindo. Dora se sentiu orgulhosa ao lado de alguém tão corajoso…

 

 

Ainda em Bridgetown, passeamos de ônibus por diversas praias, depois demos alguma voltas pela simpática cidade até encontrar um homem com um carrinho vendendo uma frutinha até então para nós desconhecida. Perguntamos o que era e ele nos deu algumas para experimentar. Quando estávamos degustando a segunda ou terceira frutinha e o homem não parava de rir, foi que nos caiu a ficha: o simpático alienígena nos explicou que as frutas eram alucinógenas. Cuspi rapidamente e continuamos nosso passeio, enquanto Dora via borboletas gigantes, gnomos e cogumelos falantes… Eu vi apenas alguns dinossauros…